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sexta-feira, 16 de julho de 2010

Insônia Insônica

Deveria constar nos decálogos proibitivos deste mundo e de qualquer outro: é pecado ser causa mortis do sono de qualquer ser humano. Povoar os pensamentos de outra pessoa, a ponto de perturbar-lhe o sono, a calma, a leveza de ser, deveria estar incluído em qualquer convenção social possível. O que, geralmente, nos tira o sono é a falta de algo ou alguém. Sentes uma saudade absurda?! Talvez aquela saudade do que só aconteceu no seu pensamento?! É o suficiente para o órgão causador da saudade começar a povoar as ilusões, principalmente as femininas. Mulheres, aqueles seres que são capazes de se transformar em uma infinidade de bens e males, mas, talvez por carma, ou ainda por altruísmo, resolvem se tornar, em determinados momentos, o sexo forte mais frágil que existe!

Que me perdoem as mais evoluídas de minha espécie, o desejo me abala as ideias. Me deixando assim, um tanto quanto sem norte. Aliás, eu vivo me atrapalhando nesse sentido, quando todos os sinos da razão indicam o sul, vou ficando cada vez mais quente e indo sentido norte, como se naquele momento me tornasse insônica aos avisos de direção. E é a partir deste ponto que minha maior dúvida volta a ter embasamento, na realidade a razão só serve para tirar-nos do deleite que é ceder ao desejo. Gostaria de incluir mais dois outros capítulos nos decálogos, que a essa altura já contem muito mais que dez tópicos, deveria ser proibido: dominar-se e racionalizar-se. Toda fome de dominação deveria ser saciada sobre lugares apropriados, não sobre seres humanos, muito menos ocorrer autodominação. E racionalizar sempre deveria ser remetido aos recursos naturais do planeta e a mais nada.

"Quando queremos provar algo, deixamos de ouvir até os pensamentos"
[Carpinejar]

A realidade, por mais que possa se modificar, estará sempre me acompanhando e, com seu jeito manso, fazendo barulho com seus sinos epiléticos. Mas o desejo não, ele parece instável, porque teima assemelhar-se com as fases da lua. Ele pode cansar de ficar esperando à porta dos meus pensamentos e, em um pestanejar, decidir dar lugar a outro desejo. E ninguém poderá me garantir que ele vai voltar algum dia. Triste seria se eu nunca mais desejasse de novo.