segunda-feira, 13 de maio de 2013

Lírica Bahia


A poética visão sobre o estado em que estive.
(para ser lido ouvindo "Céu da Bahia" - link no final do texto)

Prenunciação. Eu sabia minha Bahia, de onde vim antes de estar em ti. Pisei pedra, Pelourinho, e senti os pés negros rachados que não são meus, antes, daqueles que vieram cultivar entre todas as rachaduras, o muito do algum colorido dos nossos dias.


Estado verídico, onde as inverdades ou se ocupam, ou se profissionalizam em certezas. Me reconheci em deslumbre, pasma por saber tão ludicamente quem eu era naquele lugar, ou quem era aquele lugar em mim antes de reconhecer a história nele, minha estória. 

Ah, Bahia, és alto conhecimento que de cima de tua cidade-elevador enfeitei o começo do meu ser, humano de fitas coloridas alçando voos acorrentados aos laços do Bomfim. 


Reaprendi que como lá, sou a pobreza e seu anverso, convivendo o concavo-convexo em um mesmo objeto-corpo. Redescobri que como essa terra, serei abençoada no dia em que conviver com a dualidade de virtudes e mazelas. 

Descobri que sou feita das quebra-pedras que já não têm mais chance de viver rasteiras nos paralelepípedos dessas ladeiras, de tanta gente e gente que agora passa e repassa, só pela graça de ir e vir, apenas com o prazer de dançar peregrinando em adoração. Por isso arranjei outro canto para me germinar e, enquanto dessa gente for, minha terra fica aqui remexida, com saudades de casa e de pedra.

Venerando o Corpo Místico da Bahia que nos dá a grandeza de ainda se pertencer - corpo formado por tantos Jorges (alguns Amados) e todos os velhos e Novos Baianos - alma reverencia saudade da Bahia.

Um comentário:

Por que você faz poema? disse...

Ah, Bahia,
estado que nao me acolhe.