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segunda-feira, 13 de maio de 2013

Lírica Bahia


A poética visão sobre o estado em que estive.
(para ser lido ouvindo "Céu da Bahia" - link no final do texto)

Prenunciação. Eu sabia minha Bahia, de onde vim antes de estar em ti. Pisei pedra, Pelourinho, e senti os pés negros rachados que não são meus, antes, daqueles que vieram cultivar entre todas as rachaduras, o muito do algum colorido dos nossos dias.


Estado verídico, onde as inverdades ou se ocupam, ou se profissionalizam em certezas. Me reconheci em deslumbre, pasma por saber tão ludicamente quem eu era naquele lugar, ou quem era aquele lugar em mim antes de reconhecer a história nele, minha estória. 

Ah, Bahia, és alto conhecimento que de cima de tua cidade-elevador enfeitei o começo do meu ser, humano de fitas coloridas alçando voos acorrentados aos laços do Bomfim. 


Reaprendi que como lá, sou a pobreza e seu anverso, convivendo o concavo-convexo em um mesmo objeto-corpo. Redescobri que como essa terra, serei abençoada no dia em que conviver com a dualidade de virtudes e mazelas. 

Descobri que sou feita das quebra-pedras que já não têm mais chance de viver rasteiras nos paralelepípedos dessas ladeiras, de tanta gente e gente que agora passa e repassa, só pela graça de ir e vir, apenas com o prazer de dançar peregrinando em adoração. Por isso arranjei outro canto para me germinar e, enquanto dessa gente for, minha terra fica aqui remexida, com saudades de casa e de pedra.

Venerando o Corpo Místico da Bahia que nos dá a grandeza de ainda se pertencer - corpo formado por tantos Jorges (alguns Amados) e todos os velhos e Novos Baianos - alma reverencia saudade da Bahia.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Invisível a Raio Laser

Um pouco de transcendência e você vai perceber que o que se precisa para viver é muito do pouco que já se tem. A constância do ar é o que nutre a capacidade de tê-lo, no corpo e na alma. Sabedoria é não esperar que esteja arriscada a capacidade de perceber que o que é belo e o que basta é acordar pela manhã, sozinho ou não. Iniciar a retina da alma para a nova oportunidade de perceber que existem alguns benditos que não possuem uma adaga dançando em seus pescoços. De vez em quando ser sensível a dádiva de sentir o cheiro de se estar limpo. Recompensa pelo andar sem hipocrisia, em passos desarmônicos, mas sinceros. Porque, às vezes, não se quer andar, se tem vontade de correr até o fim do horizonte, buscando a possibilidade de cair no infinito. Ouvir a voz pungente e pacificadora em uma música é o que a sinceridade lhe trará, a maioria das pessoas não percebe ou ouve. Não espere que a dor aflija para que o mundo lhe seja perceptível, ninguém gritará ao seu ouvido sobre o bem que te cerca. O mesmo serve para o bem que fazes, não servirá para mais ninguém que não seja você mesmo.

As coisas que escreves, na maioria das vezes, não são frutos de uma busca. Assim acontece com as potencialidades que sentes, com aquilo que experimentas, e com as pessoas que te cercam. Todas estas possibilidades advêm das liberdades que exerce sobre si e sobre o Universo. Não adianta espernear, se sente que as coisas lhe fogem é porque o errado já está em buscá-las. Certa vez, uma alma sábia me contou que o movimento das pessoas e das demais coisas da vida, são como o movimento da água dentro de uma bacia, colocada logo à sua frente: se tentar puxar a água de dentro da bacia na direção do próprio corpo, a revoltosa água vai na direção oposta. (imagine suas mãos puxando a água para perto do corpo, ela chega a te encontrar, mas rapidamente vai na direção contrária). Porém, se você mexer pouco na água, ou ainda, se tentar empurrá-la para longe, naturalmente ela vai encontrar você no retorno. As pessoas e os demais atores do Universo, estão todos a exercer a liberdade invisível à raio laser. Daquela liberdade não imposta, não manipulada; mas daquela liberdade natural, daquela que foge ao foco da luz mais condensada.

O que eu preciso lhe dizer é que isto não é o extra-vida, isso é o fluxo natural, é o que acontece quase rotineiramente. Imperceptível, na maioria dos casos, pela capacidade de sermos cegados por nós mesmos. Mas, se em algum momento você puder perceber que o que lhe aflige não se justifica, (porque até do que não lhe agrada o Universo e seu Deus lhe transmite a luz de se ser), se em alguns dos teus milhares de dias, além do sangue que lhe cobre a visão, puderes perceber o bem que lhe toca, terás a transcendência de ser completo e simplesmente agradecido.


Não importa em que momento da vida esteja,
apenas diz lá em casa que está tudo bem?



"Uma intensa luz que não se vê passa pela voz ao se calar.
Somos sempre sós e, ainda assim, ela brilha em nós.
Nem bruta nem bela, o silêncio é tê-la!"
[Caetano Veloso]



* imagem de Alicia Varela.


quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Rapte-me


Rapte-me de quem eu sou.
Captada liricamente como "a metade arrancada de mim".

Eufórica ou neurótica. [sendo eu ou eu mesma]
Encenatriz, desencantadora ou desvirtuada.

Ser uma letra de música, qualquer texto poético ou uma crônica autobiográfica? Sou eu com você, mas, mesmo sem você, continuo sendo. Porém, se o importante é ser, esbarra-se na metafísica de realizar: mas ser o quê? Sentença: quando se decide por ser algo, automaticamente se desiste de ser uma infinidade de outras coisas. Uma escolha. A aflição da escolha. Como se a regra fosse poder escolher entre aquilo que é passível de limite - na vida tens uma peça a encenar, mas os figurinos são limitados?!

Saber ser é uma longa estrada, mas por diversas vezes sou minúscula.
Tenho minhas grandezas nos momentos de encontro. O que sempre acontece dentro de outros Universos onde se arrastar, caminhar, levitar ou flutuar faz parte do conjunto de um modo mutável de ser.

"ser ... querer ser ... merecer ser!"


[A ouvir: Rapte-me Camaleoa do Caetano]
[Imagem: Mariana Palova]