Mostrando postagens com marcador liberdade. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador liberdade. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Invisível a Raio Laser

Um pouco de transcendência e você vai perceber que o que se precisa para viver é muito do pouco que já se tem. A constância do ar é o que nutre a capacidade de tê-lo, no corpo e na alma. Sabedoria é não esperar que esteja arriscada a capacidade de perceber que o que é belo e o que basta é acordar pela manhã, sozinho ou não. Iniciar a retina da alma para a nova oportunidade de perceber que existem alguns benditos que não possuem uma adaga dançando em seus pescoços. De vez em quando ser sensível a dádiva de sentir o cheiro de se estar limpo. Recompensa pelo andar sem hipocrisia, em passos desarmônicos, mas sinceros. Porque, às vezes, não se quer andar, se tem vontade de correr até o fim do horizonte, buscando a possibilidade de cair no infinito. Ouvir a voz pungente e pacificadora em uma música é o que a sinceridade lhe trará, a maioria das pessoas não percebe ou ouve. Não espere que a dor aflija para que o mundo lhe seja perceptível, ninguém gritará ao seu ouvido sobre o bem que te cerca. O mesmo serve para o bem que fazes, não servirá para mais ninguém que não seja você mesmo.

As coisas que escreves, na maioria das vezes, não são frutos de uma busca. Assim acontece com as potencialidades que sentes, com aquilo que experimentas, e com as pessoas que te cercam. Todas estas possibilidades advêm das liberdades que exerce sobre si e sobre o Universo. Não adianta espernear, se sente que as coisas lhe fogem é porque o errado já está em buscá-las. Certa vez, uma alma sábia me contou que o movimento das pessoas e das demais coisas da vida, são como o movimento da água dentro de uma bacia, colocada logo à sua frente: se tentar puxar a água de dentro da bacia na direção do próprio corpo, a revoltosa água vai na direção oposta. (imagine suas mãos puxando a água para perto do corpo, ela chega a te encontrar, mas rapidamente vai na direção contrária). Porém, se você mexer pouco na água, ou ainda, se tentar empurrá-la para longe, naturalmente ela vai encontrar você no retorno. As pessoas e os demais atores do Universo, estão todos a exercer a liberdade invisível à raio laser. Daquela liberdade não imposta, não manipulada; mas daquela liberdade natural, daquela que foge ao foco da luz mais condensada.

O que eu preciso lhe dizer é que isto não é o extra-vida, isso é o fluxo natural, é o que acontece quase rotineiramente. Imperceptível, na maioria dos casos, pela capacidade de sermos cegados por nós mesmos. Mas, se em algum momento você puder perceber que o que lhe aflige não se justifica, (porque até do que não lhe agrada o Universo e seu Deus lhe transmite a luz de se ser), se em alguns dos teus milhares de dias, além do sangue que lhe cobre a visão, puderes perceber o bem que lhe toca, terás a transcendência de ser completo e simplesmente agradecido.


Não importa em que momento da vida esteja,
apenas diz lá em casa que está tudo bem?



"Uma intensa luz que não se vê passa pela voz ao se calar.
Somos sempre sós e, ainda assim, ela brilha em nós.
Nem bruta nem bela, o silêncio é tê-la!"
[Caetano Veloso]



* imagem de Alicia Varela.


quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Pandora


"O que tinha na caixa era nada.
A alma sim, era turva e
ninguém a via."
[Adélia Prado]

Para libertar o passado decidi jogar fora Pandora.
Porém, com qualquer curiosidade absurda, e como a maioria faz, antes de tudo fui ver o conteúdo. Havia meus registros, vários eram os que estavam em algum pedaço de pele e coração que ali deixaram. A caixa era como um porta estandarte de sentidos. Da pseudo aparência de relíquia, surgiam algumas declarações assinadas com sangue, outras absorviam a mesma consistência de sua intenção: se desfazendo em água. De alguns amores restaram dor. De algumas dores sobreviveram algum tipo de amor, daquele que não me preocupa calcular. O mais inusitado e, talvez, previsível, é constatar que o que foi dito, foi lançado... talvez até escrito com fortes rabiscos de caneta e atitudes.

Como todo ser humano, desejei não ver meus erros. Me deparei como motivo de estrago para alguns dos momentos daquela caixa de Pandora. Para alguns amores eu não fui o suficiente, e traí. Mas, agora que mexi no lodo desse poço, arranhei com as próprias unhas suas paredes sujas, revirei e encontrei. Para algumas situações eu fui o instante, em outros momentos eu fui a razão. Em alguns instantes eu fui salvação e, por alguma razão, em outros eu fui a derrota.

Em flashs adrentrei a realidade de momentos trancendentes, circundados por borboletas pretas com pontos de luz nas asas. Uma felicidade imensa de recordar as gargalhadas e insinuações de uma vida cheia de instantes. E, prepotente, pensei: Quem é que ainda almeja eternidade quando se pode passar a vida a construir instantes?!

A vida é um pacote, claro. Mas não quero prisões, quero também as improbabilidades das emoções que atencedem as decepções. Como afirma Duda Bandit: "a queda pode ser doce". Loucura? Talvez. Do que eu desejo, passo adiante a emoção. Ansiando que nada em mim fique retido, que não existam caixas nem Pandoras. O único mito está em conseguir conceber que a vida é feita de instantes decifráveis. Os instantes são instantes, passam. Se passam as dores, os amores também. Deixando livre a existência, recupera-se dia sim, dia não, a transcendência de nada esperar. Desfrutar. Apenas na preocupação em não estancar, pois o que uma vez guardado é, pode mofar.


imagem retirada daqui.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Amor, Perigo e Liberdade

Apaixonar-se em uma noite, ter delírios em forma de sonhos, e depois deixar-se ir embora, elegante como garças. Criar a ilusão e vê-la se transformar em realidade na mesma velocidade que a paixão durar. E desejar que, hoje, o príncipe encantado seja apenas um cara educado, que saiba ser independente, que seja apenas forte o suficiente para te prender, e que, principalmente, seja tão inteligente, a ponto de saber disfarçar a arrogância, e goste apenas, e muito, de você! Aliás, se nutrirem um afeto mútuo, toda a balela anterior não terá a mínima importância.

Falar de paixão e amor já está mais do que clichê, e, ao mesmo tempo que isso já foi severamente discutido nas rodinhas dos intelectualizados, dá um prazer enorme em saber que quase nada se sabe. Talvez o amor seja um bicho sorrateiro e selvagem, impossível de se domar ou assumir apenas uma forma. Por conta deste fato, quanto mais se resolva teorizar, menos se domina o assunto. Quanto mais pretende-se engaiolar um bicho desses, o que você vai ver são cenas de algo que muito se debate, derruba o claustro e corre na primeira oportunidade de liberdade.

A busca por amor e afeto tornou-se algo parecido com a antiga sintonização de radio pelo dial. Essas buscas por estações audíveis eram sempre feitas em movimentos cuidadosos, e como se fica aflito e à mercê nessas situações! Diversas vezes, numa sintonização analógica, em que, exauridas as tentativas, ficávamos tendenciosos por escutar qualquer estação, só para não cairmos na inexatidão de um barulho qualquer. Com relação ao amor, é isso que se propaga por aí, é tudo por bem pouco. A busca é tão cansativa e dolorosa, que o medo da solidão se tornou um bicho dos mais perigosos à alma, que o amor se tornou peça de tentar encaixar mais ou menos, e no primeiro que aparecer. Não adianta, por mais rústicos, solitários e autossuficientes que sejamos, desde quando começamos a existir, estamos incumbidos por uma necessidade de amor e de afeto em várias instâncias. Acostume-se com isso, ou tente.

Deveria ser totalmente descomplicado sair amando e desamando por aí. Quando entramos em contato mais íntimo com outra pessoa, nossa mente se expande, algumas barreiras naturais são postas à prova, e, com isso, vamos nos modificando durante o caminho, e isso não precisa ser ruim ou traumático, isso deveria nos trazer uma amplitude humana enorme. Nem falo sobre o fato de amarmos e sermos amados, falo desta coisa de humanidade em conjunto mesmo, ser além por se ser com o outro, sabe como é?! É uma pena a gente não saber amar oportunamente, e não se dedicar mais às relações. Se cansa, se fere e se resolve ficar estancado para sempre. Não me parece tolo acreditar que todas as pessoas com as quais nos relacionamos podem nos modificar de uma forma positiva, o problema maior é que, com grande frequência, o que vemos são pessoas se ferindo no caminho, simplesmente porque não sabem diagnosticar quando um afeto chega ao fim. Deveria ser tão mais simples: estamos juntos, nos expandimos, e, chegando ao fim, seremos eternamente gratos por isso, mas passemos adiante agora e não depois, quando as feridas se criarem. Me desculpem os pseudoeternistas, mas isso nada tem a ver com tornar o outro algo descartável, isso tem a ver com sinceridade de intenção e, principalmente, um enorme zelo pela humanidade mútua.

Amores inclassificáveis é o que deveríamos desejar, eternos e sadios enquanto durarem.

"Como se te perdesse, assim te quero. Como se não te visse (favas douradas sob um amarelo) assim te apreendo brusco, inamovível, e te respiro inteiro. Um arco-íris de ar em águas profundas. Como se tudo o mais me permitisses, a mim me fotografo nuns portões de ferro. Ocres, altos, e eu mesma diluída e mínima no dissoluto de toda despedida. Como se te perdesse nos trens, nas estações, ou contornando um círculo de águas. Removente ave, assim te somo a mim: De redes e de anseios inundada"

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Ímpeto


Ímpeto. Aquilo que desprende de você, e seu pudor parece que corre atrás, pedindo calma. Seus segundos durante a digitação se tornam lentos, porque seu anseio em alcançar com a boca o que tanto lhe aguça o desejo é mais feroz do que seus dedos conseguem atender.

Parece que lhe entope não somente as artérias, parece que lhe entope as vias, quer sejam as vias de fato ou não. Chega a tornar confuso o saber de quem domina o que, se você vive dos seus ímpetos, ou se eles se alimentam daquilo que você realmente é.

Ímpetos dos diversos, difusos, inconclusos; existem os ímpetos que parecem que lhe estragam o ser, mas são tão bons de serem cometidos. Trazem a sensação de dilatação: do ser, da alma, do corpo, do senso, do espítiro. E quando tudo se conclui, o ato se transmuta; a impressão é de que você nunca mais caberá no modelo que antes você cabia, e o melhor é que não irá.

E existem tantos outros contextos além do sexual, inúmeros ímpetos que vão além do corpo. Enlargueça sua alma e consciência, por mais hippie que isso lhe pareça. Não caiba nos conceitos que cabia antes. Transfira o seu senso de correto pra outro lugar, sem ultrapassar o limite do respeito ao outro, mas evolua. Fuja, corra, passe longe do antigo, da rotina, do vício por tortura. Mude, quer seja de casa, de rua, de amigos ou do que quer que seja, busque uma causa, não observe se alguém a aprova, apenas tenha certeza e se aventure nela até durar sua paciência, e, depois, mude novamente. Volte a gostar das coisas antigas, das que lhe trazem saudade. Reviva, reinvente, renasça. Libere-se. LIBERTE-SE.

"Ser um ser permissível a si mesmo é a glória de existir. "
(Clarice Lispector)

Saudade desse lugarzin! rs.
Woodstock feelings?!
não sei. rs


sexta-feira, 23 de abril de 2010

Universo Hexo-Retangular



Uma saudade e uma preguiça enorme de voltar aqui. Saudade de viver as poros-emoções (aquelas dos poros dilatados). Mas confesso que tive uma preguicinha de esperar o 'encher e esvaziar' que é escrever. Hoje não quero transa com o correto, com a passividade daquilo que já existe e já está oficializado em alguma regra. Eu quero experimentar a liberdade de inventar palavras, inventar sentimentos, profanar as frases soltas da minha ilusão tardia. Hoje eu não quero fazer e nem dar (nem sentido às coisas). Hoje eu não quero rima, não quero sentido. Quero sentir que poder estar só é aquela sensação filha-da-puta que a gente tem quando se sente bem é junto, mas bem junto, sabe como é?

Nem adiantaria, hexo-retangular não existe em nenhum dicionário. 'Hexo' na tentativa de dar sentido amplo e inverso a essa vida louca e passiva. Retangular porque o mundo de todo mundo pode ser redondo, mas o meu precisa ser diferente.

Fodam-se os intelectuais, suas caras normas, suas camisas engomadas que tentam esconder as suas decepções como seres humanos. Danem-se os letrados, graduandos, graduados, mestres, doutores e pós-doc's. Quanto vale o conhecimento que você acha que tem de si?! Hoje, e só hoje eu me dou ao luxo (ops, que os revolucionários e sem-qualquer-coisa não me ouçam falar isso) de não ser absolutamente nada além da cama bagunçada, da camisola amarela rasgada, da janela aberta olhando os vizinhos, da cortina de encontro à janela pela força do vento. Só me faltou a brisa.

Revivido o primeiro dia depois da parada hexo-retangular do Universo, mas feliz por conta do vestido da madrinha.

Sem chances de ter genialidade em qualquer objeto deste canto, a loucura e seus derivados já preenchem todos os espaços.