segunda-feira, 26 de julho de 2010

Desintoxicar-se do Comum

Ontem buscávamos as melhores técnicas de plantio, manejo de sementes e eliminação de pragas nas nossas plantações. O que se desejava era plantar para colher mais rapidamente e que nenhuma dúvida restasse de que nada poderia atrapalhar este ciclo. Hoje se constata que algumas técnicas utilizadas acabavam por estragar o solo, além de prejudicar a saúde dos consumidores destes alimentos. Agora há um verdadeiro movimento para que a 'conquista' de ontem seja proibida hoje. Nem cabe prolongar o desabafo com as tecnologias dos automotivos, em consequência um grande coincidente descaso com a malha viária ou outras malhas.

Nos últimos tempos li algumas matérias que me preocuparam: Homens matando suas ex-companheiras, em um caso matando inclusive seus filhos. Me pergunto, onde foi parar o amor própio?! Não estou falando do amor próprio arrogante e egoísta, mas daquele no qual você tem a consciência de que não está sozinho neste mundo, e de que o mundo precisa de você psicologicamente inteiro. Como se pode admitir que um 'amor' tenha acabado em função da impossibilidade de outro 'amor'? Me recusando a falar do ato de assassinar os próprios filhos. Um caso ou outro ganha notoriedade na mídia, fico me perguntando quantos e tantos outros casos existem de traumas que os seres humanos vão criando uns nos outros que não são discussão tão lucrativa, mas existem e ferem tanto quanto.

Antes os pais educavam e amavam seus filhos, hoje eles delegaram a educação à escola, e o amor a qualquer um que passar, ou melhor, a quem passar primeiro, quem ou o que quer que seja. Não há quem eduque, estamos criando pessoas com informação, mas sem educação?! Não há quem reponha amor não dado, estamos mandando pro mundo seres humanos ainda mais carentes, despreparados. E ainda, quando vemos noticiados alguns casos de despreparo psicoemocional, fazemos cara de chocados? Plantamos e colhemos o desaprendizado.

Nada de conservadorismo, muito menos de discursos politicamente corretos, tenho asco aos rótulos. Gostaria apenas de ver menos pessoas aplaudindo e anseando desgraça; e tendo tudo isso como normalidade. Preparemos o descondicionamento, para uma espécie de desintoxiação do caos.


Fotografia de Julie Blackmon


3 comentários:

Sylvio de Alencar. disse...

Falando de filhos(as), a foto foi bem escolhida: uma menina, só, numa sala obscurecida, piso brilhante de limpo, mulher subindo escada lá no fundo...
Em ambientes assim, que refletem uma solidão momentânea de uma criança, passei muitos momentos.

Tem razão: não se recupera amor não dado.

Desintoxico-me diáriamente, faço isso como exercício.

Um pouco de consciência 'de si' para todo mundo seria muito bem vinda.

Abrçs.

ErikaH Azzevedo disse...

Há um preocupação com a formação, a informação masnão com a educação, acho que tocaste mesmo no ponto certo ...esquecemos que a maior herança que podemos dar a nosso filhos é o amor pq só amor é fonte para cada vez mais e mais amor.

O que vejo minha menina é que qto maior a condição social menor é o amor doado, talvez doa-se amor sim mas de uma forma que não se percebe, que o outro não se sinta amado.
Vamos virar o olhar pra isto sim pq È preciso desconstruir sim essa forma usual de amor de hj em dia..e amar mais , do jeito antigo, fazendo o amor transbordar no dia a dia, e nos minimos detalhes.

Um beijo minha flkor.

Erikah

Sophi (para os íntimos) disse...

Perfeita abordagem,assunto para ser discutidos por vários dias,concordo com você em tudo,as vezes penso que tudo isso é mais profundo do que parece e as vezes penso que depende de cada,da maneira como encaram a vida e os problemas,acho tudo muito relativo,tenho em meu camiho pessoas maravilhosas que não tiveram pai nem mãe e são seres humanos sensacionais e também tenho alguns que cresceram e vivem até hoje no colo e não valorizam a vida sendo assim:ridicularizam as pessoas.Ah amada,só você mesmo...
Me fez refletir muito sobre o assunto!!

Beijo enorme bela minha!!!