terça-feira, 21 de dezembro de 2010

De uma Calma e doce Loucura

Queria te encontrar em qualquer um dos meus céus. Que a sua aparição me alertasse o espírito, e os meus sentidos se aguçariam impulsivamente. Hoje é segunda, dia de energia impactantemente avessa, e eu precisava apenas de um pretexto. Estou no meu limite, entre a insanidade do amor e a tranquilidade da sua não existência.

A calmaria da sensatez já não me satisfaz. Por mais que ela seja agradável depois de qualquer eclipse sentimental, o fato de nada mais me tirar do eixo, de nada mais me instigar a não ser previsível me amornesse. Agora todos os atos são meus, não há nada mais que eu possa culpar pelo insucesso de algumas atitudes. Sou controlável por mim mesma, nunca havia cogitado a hipótese de isso ser, em determinado ponto, extremamente entediante. Se essa sensação de ter domínio sobre si é o que o mundo almeja, preciso dizer aos ventos que:
O domínio não nutre, empobrece.
A previsibilidade não assegura, limita.
O controle não apodera, infertiliza.

O amor ao coletivo é o que me germina, em uma espécie de raiz pivotante, daquela que fortalece por dentro e, só depois, brota. (lembrando que, para mim, dois já é razão de coletivo).


[Texto gestacionado há algum tempo, trazendo grata surpresa no momento do agora. Provando que a vida é feita de estações, ou, como sempre prefiro: a vida é feita das fases da Lua.]

2 comentários:

Amapola disse...

Quero comentar sobre o texto acima.

Eu me contento em ser coadjuvante nessa vida, e não quero concorrer ao OSCAR. Quero apenas a paz.

Estou lhe seguindo.
Feliz Natal. Um grande abraço.

ErikaH Azzevedo disse...

E somos mesmo Ciclicas, e essas ciclicidade é que nos provvam o qto o sentir vale a pena.

Sentir no coletivo é sentir mais.
Eu tb tenho fome dessas intensidades mas confesso que já tive muito mais.

Nesse texto eu senti-me de tempos atrás. Viver em banho maria nunca foi minha maior habilidade.

E eu sinto que estás a menina:

A espera de uma brasa que se transmute em fogueira
De dias que de tão quentes evaporem.
A espera de um fogo que te queime,
de um campo de trigo onde se colha e se coma ... o pão …

…Erikah Azzevedo…

"Queimará o monte, o filho, a lenha.A morte, as areias, a viagem... O deserto, a túnica, as estrelas
Nunca será bastante o incêndio."

(Daniel Faria)

Bjos amora.

Erikah