terça-feira, 6 de abril de 2010

Existir é um Malabarismo



Romantismo é fácil, joga-se algumas rosas pro alto, numa aparente apresentação de malabarismo, e espera que elas retornem, uma por sua vez, e seu único desgaste será reencaminhá-las novamente ao ar. Primeiro porque as rosas não podem ser sufocadas nas mãos. E depois, elas não tem aquele trabalho todo de desabrochar para ficarem presas em quaisquer mãos macias. Onde só me resta concordar com Khalil Gibran: as flores desabrocham para continuar a viver, pois reter é perecer.

Mas o revés da coisa acontece quando depois que você, gentil e esperadamente, devolve a rosa pro ar, ela te retorna na face espinhosa. Esse é o revés. E aqui fica inevitável não fazer aquela costumeira comparação da arte do malabarismo com a vida cotidiana. Porque deveria ser costumeiro, usual, normal a gente ter a sensação de estar vivendo na corda bamba. Deveria estar na coleção dos nossos hábitos o ato de fazer malabarismo diante das situações, e, no que tange as emoções, deveríamos estar mais tranquilos quando nos sentimos por um fio (já que não são raras as vezes que nos sentimos assim), mas não tem jeito, não nascemos com estes hábitos e nunca nos acostumaremos a eles.

Mesmo se o som de suas palavras diante do ato de admitir que você é a peça principal neste picadeiro cheio de realidades, seja algo novo para você, apenas acostume-se com a ideia de que você é uma daquelas pessoas que simplesmente nasceram sem a rara e santificada vocação da Madre Teresa (aquela pessoazinha que só de lembrar dá vontade de por no colo). A maioria das pessoas nasce com a (não menos nobre e única vocação) de cuidar, e muito bem, de si próprio, e mesmo assim a gente custa a aprender. A gente custa a entender que isso nada tem a ver com egoísmo, ou egocentrismo, isso tem apenas a função de diagnosticar que se você não souber aplicar suas teorias em si, fica difícil cuidar daqueles que estão a sua volta. E vocação de ser bobo da corte ninguém tem. Não mesmo! Isso fica apenas para entreter os que estão circundando seu picadeiro, e são aquelas fantasias que você nem pode ter em casa, você as aluga de vez em quando, porque se paga um preço por ela, mas com data e hora marcada para devolução.

7 comentários:

ErikaH Azzevedo disse...

Palhaço ,trapezista,malabarista..
qual seria a nossa atribuição neste circo da vida...é preciso ter jogo de cintura, traquejo , molejo , equilibrio pra seguir inteiro, sem deixar pedaços por aí, e mais ...e como um circo não é teatro é preciso que sejamos sempre nós mesmos.
Q sejamos então o que nos achamos melhor em ser, palhaço, domador, trapezista,malabarista...o que não vale é querer ficar na arquibancada , de longe, como quem só vê.

Bjo nocê que é uma trapezista das palavras.

Erikah

Sawae disse...

Como a gente muda a todo instante, pq mulher e constância são duas palavras que não foram feitas para serem usadas na mesma frase, acho que o desejo é ser cada um destes no instante correto, isso sim é ter traquejo! rs.


beijos, coração!

Por que você faz poema? disse...

Viver não é foda, como já disse um velho poeta. Viver é uma arte.

Sophi para os íntimos disse...

Verdade,precisamos agir,a vida é aqui e agora!!

lindo post...

beijo doce Sawae

Sawae disse...

Querido Herculano,

Como dizia um outro poeta contemporâneo: A vida é foda sem ser foda!

obrigada! rs.

Sawae disse...

Sophi, obrigada por enxergar tudo isso aí. Amei o 'doce' rs...

Beijos!!!

Crys disse...

Belas palavras Sawe, concordo com tudo...bjs carinhosos...