sexta-feira, 22 de outubro de 2010

A Pausa

Há quem encontre somente espanto, na morte. Menos sentido há em se velar. Qualquer despedida, neste momento, se torna um ato de autoflagelo. Depedir-se da existência? Impossível.

Deveríamos apenas deixar de existir. Deixar-se ir sem dores mútuas. Transpor uma cachoeira, por exemplo, sem necessidade de voltar.

Sob o olhar egoísta da morte,
acreditando em um olhar além vida.
A pausa interrupção.

A única certeza ao nascer se transforma na única surpresa para a qual não há preparação.

"Aceito que eu existo, aceito que os outros existam
porque é direito deles e porque sem eles eu morreria"
(Clarice Lispector)

3 comentários:

Thalita Yanahê disse...

cada um que parte
nos parte um pouco
o óbio que surpreende
o esperado que ninguém quer receber
contradições...
a sua existência prova a minha
amu

Ludmila disse...

Mesmo que não tenha muito a ver, seu texto me lembrou uma citação, não me lembro exatamente de quem. Acho que foi sua referência a surpresa, mas dizia mais ou menos assim:
"A vantagem de se ter um vício é que a causa da sua morte não será uma completa surpresa"




http://guarda-chuvaroxo.blogspot.com

ErikaH Azzevedo disse...

E é preciso ter uma leveza assim até na hora de morrer....a morte pesa mais para os que estão ainda a viver, do que para os que já foram....em lembranças, saudades intermináveis,enqto se espera pelo reencontro....acredito fielmente nisso. E as mortes diárias, o que é que vc me diz disso? Não há uma só morte indissoluta nesta vida, toda perda nos é uma morte..né!

Bjos querida.

Texto pequenino sim, mas de uma grandiosidade , dessas com que sempre me encantas.

Erikah